Mente Distraída Não É Um Problema

O que você percebe quando você pratica meditação? A maioria das pessoas acham que suas mentes não vão ficar quietas.

Por:
Gil Sant'Anna

O que você percebe quando você pratica meditação? A maioria das pessoas acham que suas mentes não vão ficar quietas. Atenção vai embora pra longe, em pensamentos, sentimentos, sons, imagens… exceto para onde pretendia focá-la. É tentador ver isso como um problema que a prática mindfulness irá corrigir – se nós treinarmos continuar a retomar o foco depois que nos distraímos, em breve ser capaz de se concentrar mais facilmente. Certo?

Possivelmente. Mas algo mais pode estar acontecendo também. Se você descobriu que você não está totalmente no comando de sua mente, você pode querer perguntar a si mesmo(a): Como eu sei disso? Como é que eu percebi que minha mente está distraída? E como eu sou capaz de trazê-lo de volta? A fim de perceber que a mente se distraiu, e ser capaz de retomar à atenção, deve haver algo maior do que a mente, uma perspectiva mais ampla que pode observar a distração. Essa perspectiva mais ampla é aconsciência.

A consciência vê toda a imagem. Com ela, podemos experimentar a vida com uma lente mais aberta. Poderíamos pensar que é uma coisa ruim perceber a mente à deriva, mas na verdade, o inverso é verdadeiro. O fato de que podemos ver isso significa que estamos abrindo para uma maior consciência. É verdade que na prática mindfulness estamos cultivando uma capacidade para atender com maior tranqüilidade, estabilidade e força. Mas com a consciência, podemos descobrir uma maneira de ser que não é pega na selva de pensamentos reativos, sensações e impulsos, mesmo quando a atenção é atraída para isso.

Imagine uma vaca que está em um campo muito pequeno, rodeado por cercas. Com pouco espaço, o animal está preso – não consegue circular livremente, provavelmente se sente claustrofóbico, irritado talvez ou com medo. Agora imagine que o campo é maior – as cercas são movidos para trás e há muito mais espaço para passear. Provavelmente a vaca será muito mais contente.

 

Não temos que tentar fazer acontecer a consciência. Ela emerge naturalmente da nossa disposição para nos libertar de padrões automáticos de pensar, sentir e reagir, como quando praticamos a meditação.

 

Ao abrir a consciência, estamos expandindo o campo de percepção. Sem tentar mudar a mente, o próprio espaço que oferecemos pode trazer libertação. Em vez de sermos pegos em pensamentos, sensações e reações, encontramos algum espaço para respirar. Descobrimos um espaço lá dentro para ver o que está acontecendo. Como é mais fácil cuidar da vaca em um campo maior, é mais fácil de lidar com a mente distraída no espaço aberto de consciência.

Não temos que tentar fazer acontecer a consciência. Ela emerge naturalmente da nossa disposição para nos libertar de padrões automáticos de pensar, sentir e reagir, como quando praticamos a meditação.

Somos chamados de volta à consciência quando percebemos a mente se distraiu. Cada percepção e cada retorno ao foco inevitavelmente acontece na consciência. A partir desta perspectiva, mente distraída não é um problema – de fato, notá-la significa que estamos começando a ver os nossos padrões habituais de percepção mais clara. Com consciência, começamos a ver que os pensamentos são apenas pensamentossensações apenas sensações, visões apenas visões, e sons apenas sons. Podemos optar por tê-los como base para interpretar o mundo, ou podemos decidir experimentá-los como fenômenos interessantes, surgindo na mente e no corpo.

Ao perceber e conhecer os nossos padrões, nós desembaraçamos o piloto automático. Este processo é normalmente gradual. Precisamos de lembretes para voltar a consciência novamente e novamente. Estes lembretes para acordar são construídos na prática demindfulness: ao longo do tempo, ao treinar perceber e voltar a experiência, nós podemos mudar de um lugar de hábito inconscientes para um lugar com visão mais clara. Esta mudança deve ser permitida que aconteça suavemente, um momento de cada vez.

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Gil Sant'Anna

Gil Sant'Anna é professor de Habilidades Socioemocionais no ambiente universitário.  Leciona essa disciplina livre na Universidade Federal do Rio de Janeiro e é pesquisador assistente em Neurociência no Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino.
É TED Speaker, instrutor de Mindfulness e Certificado em Treinamento em Compaixão por Stanford University.
Gil ama Aprendizado Emocional e acredita que esse tem a força necessária para mudar a educação do Brasil.

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